Empresas japonesas aceleram testes com robôs inteligentes enquanto o envelhecimento da população pressiona o mercado de trabalho
O avanço dos robôs com inteligência artificial está ganhando espaço no Japão à medida que a falta de trabalhadores se agrava em áreas como saúde e manufatura.Em um país que envelhece rapidamente e tem menos jovens entrando no mercado, empresas passaram a ver essas máquinas como uma forma de aliviar tarefas repetitivas e suprir parte da escassez de mão de obra.
O governo japonês estabeleceu a meta de introduzir 10 milhões de robôs com IA até 2040.
A proposta é usar a tecnologia como resposta ao impacto combinado do envelhecimento da população e da redução do número de habitantes, dois fatores que vêm pressionando contratações em diversos setores.
Entre os exemplos mais recentes está o D1, robô humanoide sobre rodas apresentado em agosto pela startup Zeals, de Tóquio.
Com 129 centímetros de altura, câmera para reconhecer rostos e se comunicar, além de dois braços capazes de carregar até 5 quilos cada, ele foi projetado para uso interno em locais como hospitais, hotéis, fábricas e centros logísticos.
O preço inicial do D1 é de 5 milhões de ienes, e a empresa quer ampliar as vendas em parceria com companhias de comércio e leasing de robôs. A meta é produzir 100 unidades até março de 2027 e acumular 10 mil horas de operação.
Embora desenvolva seu próprio software e sua tecnologia de IA, a Zeals ainda depende de componentes comprados de empresas dos Estados Unidos e da China, mas pretende no futuro fabricar robôs usando apenas peças japonesas.
Testes em hospital e preocupação com riscos
No fim de agosto, a Zeals testou o D1 no Hospital Juko Osu, em Nagoia, na província de Aichi. Durante a experiência, o robô foi usado em tarefas como orientar visitantes e recolher bandejas de refeições, em uma tentativa de verificar se o equipamento é realmente útil em ambientes reais de trabalho.
Segundo o CEO Masahiro Shimizu, reunir dados de treinamento e comprovar a utilidade prática do robô é essencial nesta fase.
Em parceria com a Zeals, a Mitsui Sumitomo Insurance também vai oferecer seguros específicos para usuários do D1, de olho em uma possível demanda nas áreas de hotelaria, saúde, manufatura e logística.
A seguradora avalia que a adoção desses robôs exige atenção não só a danos materiais e acidentes com pessoas, mas também a riscos de vazamento de dados e ataques cibernéticos.
Em julho, a Mitsui Sumitomo Insurance já havia investido em uma empresa que busca desenvolver no Japão a chamada IA física, tecnologia que permite aos robôs aprender tarefas de forma autônoma.
Impacto no mercado de trabalho
O movimento não se limita à Zeals. A Kakuichi, empresa de Nagano ligada a produtos de aço e sistemas de gestão de energia, pretende receber em abril de 2027 um robô humanoide como se fosse “um novo graduado”.
A introdução será apoiada pela Play Robotics, que trabalha com o robô humanoide chinês Miyazawa Noah. A Kakuichi planeja usar o robô em vários departamentos, incluindo manufatura e vendas, para treiná-lo com experiência prática do dia a dia.
Para o CEO Riu Tanaka, desenvolver um humanoide também significa preparar funcionários capazes de tirar o melhor proveito da tecnologia.
Para quem vive e trabalha no Japão, inclusive estrangeiros, a tendência mostra que a escassez de mão de obra está remodelando o mercado.
Ao mesmo tempo em que robôs podem assumir parte das tarefas operacionais, cresce a importância de profissionais capazes de operar, supervisionar e integrar essas novas ferramentas ao ambiente de trabalho.
Fonte: Portal Mie com The Mainichi English / Kyodo









