segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Japão começa a estabelecer medidas para a vacinação da população contra o coronavírus em 2021

 Ainda falta esclarecer as divisões de papéis entre os governos municipal, provincial e federal

vacina no Japão
O governo começou a trabalhar para estabelecer os sistemas que serão necessários para vacinar as pessoas contra o novo coronavírus, segundo o jornal Yomiuri. 

Uma emenda à Lei de Imunizações, que estipula a forma de vacinação, será submetida em sessão extraordinária de Dieta marcada para começar no dia 26 de outubro. 

Com a meta de iniciar no primeiro semestre do ano que vem, esta pode ser o maior esforço de vacinação na história. Mas há várias questões a serem resolvidas primeiro, incluindo a criação de sistemas para governos municipais e instituições médicas.

“O conselho tem discutido a divisão de funções, incluindo as dos governos locais e dos profissionais médicos. Estamos começando a preparar revisões da lei”, disse o ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, Norihisa Tamura, em uma entrevista coletiva na sexta-feira.

Em relação a uma vacina para o novo coronavírus, as revisões iriam principalmente esclarecer a divisão de papéis entre os governos nacional, provincial e municipal, e criar um sistema que permita que a população seja vacinada rapidamente e às custas do estado.

Quanto aos possíveis efeitos adversos de uma vacina, espera-se que haja disposições estipulando que o governo, em vez das empresas farmacêuticas, pagará por qualquer dano resultante.

O governo vê a vacina como “a chave para normalizar as atividades econômicas e sociais”, de acordo com um alto funcionário do Ministério. 

O órgão quer aprovar rapidamente uma emenda que permitirá que as vacinações comecem no primeiro semestre do próximo ano e que assegure o suficiente para cobrir todos no Japão.

Os governos locais e as instituições médicas ficarão realmente encarregados de fornecer um grande número de funcionários e trabalho para prosseguir com o esforço de vacinação.

Espera-se que os municípios sejam os principais executores desse processo. Além de estratificar as pessoas por risco e notificá-las individualmente, os municípios terão uma grande variedade de tarefas a cumprir, como assinar contratos com instituições médicas e fornecer consultas aos residentes.

“Já estamos ocupados lidando com o novo coronavírus. Onde encontraremos o pessoal para as vacinas?” disse o responsável pelo assunto na Associação Japonesa de Prefeitos.

“Mesmo que leve seis meses para inocular todos, isso significa quase 1 milhão de injeções por dia. Precisamos realmente nos preparar completamente”, disse Takaji Wakita, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e membro do subcomitê do governo sobre o novo coronavírus.

O Ministério planeja incentivar os governos locais a começarem a se preparar antes mesmo da aprovação da revisão da lei.

Está desenvolvendo um sistema de distribuição em todo o país, para que possa reunir informações para os fabricantes enviarem as quantias necessárias para as instituições médicas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em 15 de outubro havia 42 novas vacinas contra o coronavírus que haviam avançado para o estágio de ensaio clínico em todo o mundo. Dez delas estão nos estágios finais, e alguns laboratórios devem concluir seus testes clínicos neste outono. Existem outras 156 vacinas em fase de ensaio pré-clínico.

Algumas das vacinas sendo desenvolvidas exigiriam que uma pessoa recebesse mais de uma inoculação.

O governo espera usar cerca de ¥ 670 bilhões das reservas no orçamento deste ano fiscal para garantir 280 milhões de doses de três empresas com sede na Europa e nos Estados Unidos.

Se tudo correr bem, as primeiras doses podem chegar ao Japão já no início do próximo ano. 

O governo também aderiu a uma estrutura internacional para fazer compras conjuntas de vacinas completas com outros países. No entanto, não está claro se isso realmente garantirá suprimentos suficientes.

Atualmente, o Ministério vê os profissionais médicos, os idosos e as pessoas com doenças de base como as prioridades para a vacinação.

Espera-se que o subcomitê e outras entidades comecem a discutir como esclarecer quem será vacinado, como a idade dos idosos e quais doenças básicas específicas cobrir.

No entanto, saber qual vacina de empresa farmacêutica estará disponível, e quanto, é essencial para este processo.

Mesmo que uma vacina seja desenvolvida e distribuída com sucesso, existe o risco de que a demanda se concentre em uma vacina em particular se houver diferença de qualidade entre elas.

Um alto funcionário do ministério disse: “Há um limite para a forma como podemos responder até que seja decidido quais vacinas receberemos.”
Fonte: Alternativa

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

O tatuador da Yakuza explica por que tatuagens nunca devem ser vistas

 “Quando algo se torna moda, não é mais fascinante.”

cultura da tatuagem
Tendo crescido numa casa muçulmana conservadora, se algum dos meus primos tinha tatuagem eles precisavam escondê-las bem. Tatuagens eram um tabu religioso e cultural. Lembro quando meu tio dos EUA nos visitou, toda vez que ele pegava algo na mesa de jantar, nossos olhos iam direto para as linhas pretas aparecendo por baixo da manga de seu suéter. Elas eram um mistério para nós, apesar de podermos ver que elas tinham algum significado espiritual para ele.

Hoje em dia, minha pele é marcada por nomes de amigos assassinados, um retrato de Gaddafi (ex-primeiro-ministro da Líbia), datas de prisão e um diamante do 1%. Fiz minhas tatuagens sabendo que meus parentes próximos só as veriam durante o ritual islâmico de banhar meu corpo antes do enterro. Eu queria que minhas tatuagens formassem um retrato visual das ideias e eventos que me transformaram, literal e espiritualmente.

Então fazemos nossas tatuagens para nós mesmo ou para mostrar aos outros? No Ocidente, provavelmente um pouco dos dois. E por isso que sempre achei a abordagem dos yakuzas japoneses das tatuagens tão fascinante. Eles acreditam que tatuagens são particulares, então fazem tatuagens de corpo inteiro que não podem ser vistas acima da gola ou das mangas. Dessa maneira, a humildade da sociedade japonesa impediu a cultura da tatuagem de interromper a vida pública.

tatuador do Japão

De todos os tatuadores do Japão, Horiyoshi III provavelmente é o mais lendário. Ele é um tatuador Irezumi que vive em Yokohama, e também é o tatuador favorito da Yakuza, a máfia japonesa.

Estava chovendo quando peguei o trem para visitar Horiyoshi III. Fui recebido na porta de seu estúdio por dois homens de terno Burberry e levado para dentro, onde Horiyoshi estava concentrado em seu trabalho. Eu não conseguia entender os rosnados intermitentes em japonês. Eles davam tapas no chão como se estivessem tentando colar o carpete. Horiyoshi estava em silêncio. Ele não nos cumprimentou por mais de uma hora. O zumbido silencioso da máquina era quase meditativo.

Os homens eram membros da família yakuza local. Horiyoshi estava tatuando um peixe koi vermelho no chefe dos homens, um cara grisalho usando um conjunto Champion vermelho. Eles me ofereceram um cigarro, e perguntei nervoso se não era melhor eu fumar lá fora. O zumbido da agulha de Horiyoshi parou abruptamente quando ele começou a rir, como se estive acordando de um sonho lúcido. “Relaxe, pode fumar aqui.”

VICE: Por que você acha que os membros da Yakuza gostam de se tatuar com você?
Horiyoshi III: Os yakuza querem sempre o melhor; tudo tem que ser de primeira classe. O que eles vestem, os lugares que frequentam, as mulheres com quem andam e os carros que dirigem. Eles têm muito orgulho. E eles querem ter tatuagens bem feitas, então me procuram.

No Ocidente, quando pensamos em homens japoneses com o corpo coberto de tatuagens, a primeira coisa que pensamos é na Yakuza.
O jeito como a cultura da tatuagem é ligada à Yakuza e ao mundo do crime tem muito a ver com o jornalismo. Quando eu era criança, os garotos liam sobre a Yakuza e achavam que eles eram más pessoas. Mas conheço esses caras pessoalmente. Eles fazem muitas coisas boas pela comunidade. Quando o terremoto aconteceu, eles responderam mais rápido que o governo. Todo mundo teve que sair de suas casas, e foi a Yakuza que garantiu que ninguém fosse roubado.

japoneses

Li que criminosos muitas vezes eram punidos com tatuagens no período Edo.
No período Edo, criminosos recebiam o símbolo Tokigawa na nuca para evitar a pena de morte. Mas aí os oficiais simplesmente arrancavam a pele deles antes de executá-los. Se você tatua o símbolo de uma família é um crime muito sério, quase tão ruim quando tatuar um símbolo de samurai da primeira geração.

No Japão, esses símbolos têm conotações profundas. Criminalidade não nos interessa. Nem intimidação plástica. Não fazemos tatuagens para mostrar masculinidade. Muitos dos nossos desenhos contêm uma cena de uma história. Se você usa os símbolos de punição como uma tatuagem, não é legal porque significa que você foi preso por algo pequeno. No período Edo, se tivesse cometido um crime sério, você tinha a cabeça cortada. É estranho falar sobre o que é legal quando estamos falando de crime.

mitologia japonesa

Os yakuzas sentem que essas cenas da mitologia japonesa expressam quem eles realmente são, fora dos estereótipos alimentados por propaganda?
Se a Yakuza quisesse usar tatuagens para mostrar ao público que são uma gangue, eles simplesmente teriam tatuagens visíveis e diriam que são yakuzas. Mas eles não são idiotas. Não acho que eles fazem suas tatuagens com sua aliança à Yakuza em mente. Às vezes, as pessoas se referem a Yakuza com a palavra ninkyō, que na verdade significa “ajudar pessoas abaixo de você”. A Yakuza tenta ajudar pessoas, e [a tatuagem] é tradicionalmente sobre isso. As tatuagens são para mostrar que eles têm a força para ajudar os fracos. Mas não precisam tornar isso público.

Horiyoshi III

Você já se recusou a fazer uma tatuagem?
Sim, nunca tatuo acima do pescoço ou as mãos. Acredito que a beleza está no que você não pode ver. O que é belo é diferente para cada pessoa. Pode ter a ver com as profundezas da sua história pessoal e cultural. A estética japonesa é muito única em comparação com o Ocidente. Se você pensa sobre o seppuku (ritual de suicídio japonês), temos uma qualidade estética para o suicídio e a morte. É preciso, simples, frágil, ousado e com peso. Cerimônia do chá, arranjos florais, espadas samurais — tem um estilo muito consciente em jogo.

Por que você acha que é importante esconder suas tatuagens?
A cultura das tatuagens no Japão ainda é tabu, mas por isso a cultura é tão bela. Vaga-lumes só podem ser visto à noite porque sua beleza só é vista no escuro. Eles não podem ser apreciados na luz do dia. Quando algo se torna moda, não é mais fascinante. Na cultura ocidental, tatuagem pode ser moda ou tendência, mas no Japão apreciamos tatuagens que você não pode ver e é por isso que as achamos belas. A cultura japonesa é sobre estar nas sombras.

As igrejas ocidentais são iluminadas e opulentas, mas nosso templos são silenciosos e escuros. Na cultura japonesa, retratamos a luz explorando as sombras. A sombra dos budas é mais importantes que o rosto das esculturas. As pessoas se tatuam aqui sabendo que não vão mostrá-las o tempo todo, e é por isso que levamos as tatuagens a sério. Nossa cultura espiritual é diferente da de outros países, porque quando mostramos nossas tatuagens, isso toma a forma de uma luz misteriosa que está escondida. Por isso é fascinante.

Jovem yakuza

Acho essa ideia de ser atraído pela escuridão muito interessante.
É da natureza humana ser atraído para lugares escuros. Mesmo à noite quando a lua está cheia, parecemos atraídos pela superstição do escuro. É a natureza humana. As pessoas são muito boas em usar as sombras para tirar sentido da luz. Talvez, na cultura ocidental, eles comecem com a luz e tentem entender suas sombras. No Japão, para entender o que a luz representa, exploramos as tradições das sombras.

Na nossa cultura, temos uma forma de teatro musical chamado Noh; isso vem de antes da eletricidade no Japão. As pessoas faziam fogueiras e atuavam ao redor do fogo. Não é como um holofote porque você não pode ver a ação perfeitamente, mas os figurinos refletem as chamas. As roupas dos atores eram costuradas com fios de ouro e prata. Se a cena fosse iluminada perfeitamente, você poderia ver o fio dourados, mas o drama da luz refletida ganha vida no escuro.

Os arquitetos japoneses estão sempre pensando nas sombras e na posição da luz do sol. A posição das janelas é muito importante nas casas japonesas.

Shige me disse para visitar os jardins Sankeien, parecia mais arte que arquitetura.
Sim, os arquitetos calculavam cada mês do ano, assim podiam pintar a paisagem usando sombras, luz e as estações. Não é só com tatuagens. Mesmo quando você olha o oceano e vê o reflexo da lua nas ondas, parece misterioso e lindo, mas quando você vai à praia durante o dia o mar é brilhante, mas não transmite mistério.

koi

Por que você se recusa a ser chamado de artista?
Não vou negar. Sou um artesão e se as pessoas querem chamar isso de arte isso é assunto delas. Sou um artesão. Tem uma escultura famosa chamada gato dormindo — nemuri neko . Eles chamam isso de uma grande obra de arte, mas não sei se o escultor queria que fosse arte. Ele era um artesão; tenho certeza que ele nunca disse que era um artista.

sociedade japonesa

As pessoas sempre me perguntam o que eu acho que é arte. Não sei onde a fica a fronteira para arte padrão. Nos pergaminhos tradicionais japoneses, a forma de arte definitiva para o meio é quando não há pintura no pergaminho. Há beleza no espaço e o espectador deve imaginar o que é arte.

Considerando arte moderna, se alguém coloca pedras que achou na calçada numa galeria, isso é considerado arte. Castelos, espadas, cerâmica — é tudo arte. Onde estão as fronteiras? Acho pessoalmente que a cerimônia do chá japonesa é arte. Não sei mais o que é arte. Isso depende de quem escolhe? Quem tem valor hoje em dia? O que tem valor?
Fonte: VICE Brasil

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Ministro japonês quer acabar com o uso de carimbo (hanko)

Ministro Kouno quer acabar com o uso de carimbos em trâmites governamentais para digitalizar o Japão

hanko
Em coletiva de imprensa sobre a criação da Agência Digital realizada na tarde da quarta-feira (23), o Ministro do Estado para Missões Especiais, Taro Kouno, disse que quer abolir o uso de carimbos (hanko) para trâmites do governo.

Em declaração, Kouno pediu a todos os ministérios analisarem a necessidade do uso de carimbos. Em resposta ao ministro, as prefeituras haviam alegado que não pretendem parar de utilizar para aproximadamente 11 mil procedimentos.

Durante a coletiva, Kouno disse que solicitará aos responsáveis dessas prefeituras apresentarem motivos que indicassem a importância do carimbo nesses trâmites ainda neste mês.

Fontes do governo indicam que Kouno irá atrasar todos os planos para acelerar a abolição dos carimbos.

A Agência Digital (Digital-cho) foi formada pelo Gabinete do Suga para digitalizar todos os órgãos governamentais, e será a “revolução que mudará drasticamente a economia e a sociedade japonesa”.
Fonte: Portal Mie com TBS

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Olimpíada precisa acontecer em 2021 "a qualquer preço", diz ministra japonesa

 "Quero concentrar todos nossos esforços em medidas contra o coronavírus", afirmou Seiko Hashimoto

Olimpíada do Japão

Os Jogos de Tóquio precisam ser realizados "a qualquer preço" em 2021, disse a ministra da Olimpíada do Japão, Seiko Hashimoto, na terça-feira.

Falando em uma coletiva de imprensa, Hashimoto disse que os Jogos deveriam acontecer para o bem dos atletas, independentemente dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus.

Em março, o governo japonês e o Comitê Olímpico Internacional (COI) tomaram a decisão inédita de adiar os Jogos, agendados originalmente para começar em julho deste ano, até 2021 por causa do vírus.

"Todos os envolvidos com os Jogos estão trabalhando juntos para se prepararem, e os atletas também estão fazendo esforços consideráveis para o ano que vem", disse Hashimoto na coletiva de imprensa.

"Acho que temos que realizar os Jogos a qualquer preço", acrescentou. "Quero concentrar todos nossos esforços em medidas contra o coronavírus."

Autoridades do governo japonês, do governo municipal de Tóquio e do comitê organizador dos Jogos se reuniram pela primeira vez na semana passada para determinar passos para coibir o coronavírus no evento.
Fonte: Alternativa com Reuters

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Japão marca 75 anos dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki

Neste ano, as cerimônias serão reduzidas devido à pandemia de Covid-19
Quinta-feira marca 75 anos desde o dia em que os EUA provocaram o primeiro bombardeio atômico do mundo na cidade de Hiroshima, seguido três dias depois pelo segundo e último em Nagasaki, vaporizando vidas, casas e a capacidade de guerra do Japão.

Às 8h15 de 6 de agosto de 1945, o avião B-29 dos EUA Enola Gay lançou uma bomba apelidada de Little Boy e destruiu a cidade de Hiroshima, matando 140 mil de uma população estimada de 350 mil, com milhares mais morrendo depois em decorrência de ferimentos e doenças causadas por radiação.

Em 9 de agosto os EUA lançaram outra bomba, apelidada de Fat Man, a cerca de 420Km ao sul sobre Nagasaki, matando instantaneamente mais de 75 mil pessoas abaixo de uma nuvem cogumelo que chegou a cerca de 9 mil metros de altura.

O Japão se rendeu seis dias depois, encerrando a 2ª Guerra Mundial.

Após a explosão, escombros e metais contorcidos se estendem quase que ininterruptamente no horizonte. Postes de eletricidade e árvores acompanham a porção pontilhada de construções sem janelas as quais parecem ter suportado o impossível.
O Japão realizou uma cerimônia dos 75 anos do bombardeio em 6 de agosto na cidade de Hiroshima e na de Nagasaki será no dia 9.

Nos anos anteriores, o primeiro-ministro Shinzo Abe e os prefeitos das cidades participaram de cerimônias e renovaram promessas de um mundo livre de armas nucleares. Sinos foram tocados e um minuto de silêncio foi observado no momento exato em que as bombas detonaram ambas as cidades.

As cerimônias neste ano serão reduzidas devido à pandemia de Covid-19, com menos lugares e mensagens em vídeo de dignitários.
Fonte: Portal Mie com U.S News

terça-feira, 21 de julho de 2020

Noivos agora realizam seus casamentos via internet no Japão

Os convidados acompanham tudo pelo celular ou computador
Casamentos via internet no Japão

O coronavírus alterou os planos de casamento de casais e ameaçou a existência de empresas especializadas neste ramo. Acontece que a resposta para os dois conjuntos de problemas é a mesma: entrar online.

Noiva e noivo, família e amigos agora podem reunir para a cerimônia via internet, segundo a NHK.

O casal Nanami e Shin Oya celebrou o tão sonhado casamento em Aomori em um local aberto ao lado do mar.

O dia estava lindo, como esperavam, e com temperatura agradável.

Ambos chegaram vestidos a caráter, com toda elegância que a cerimônia exige.

Mas os familiares e amigos que deixaram as cadeiras da cerimônia vazias, respeitando o distanciamento social e evitando aglomerações, acompanharam tudo alegremente pelo computador ou pelo celular de onde estavam.

O casal na verdade estava preocupado em seguir o padrão das cerimônias, tendo que gastar muito dinheiro com a contratação de uma empresa especializada na área.

Porém, com a pandemia, souberam que poderiam economizar, fazendo tudo via online.

Yasutaka Kihara, diretor de uma dessas empresas, disse que a saída para fazer frente à nova realidade foi encontrar um novo conceito para atender os clientes.

Nanami disse que a maioria dos convidados de seu casamento mora fora da província onde reside.

“Quando soubemos que poderíamos fazer a cerimônia online, ficamos muito contentes”, disse.

Os convites foram enviados também por internet.

Durante a transmissão do casório, os convidados em suas casas puderam postar comentários, como “parabéns”, e até fazer doações em dinheiro, como é costume no Japão.

Shin Oya, agora esposo de Nanami, disse que ficou nervoso mesmo com a cerimônia tendo sido realizada desta forma.

“Mas estou contente que tenha sido uma cerimônia feliz”, disse.
Fonte: Alternativa / Foto: NHK

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Japão forma o primeiro mestre em estudos ninjas

Homem de 45 anos concluiu curso de mestrado em universidade japonesa. Professor que chefia o programa de estudos ninjas elogia o aluno, mas diz: 'O curso é para aprender sobre os ninjas, não para se tornar um'
ninja

Genichi Mitsuhashi, de 45 anos, é o primeiro mestre em estudos ninjas formado na Universidade Mie, no Japão. Segundo reportagem da agência France Presse, além da leitura de documentos históricos, ele se dedicou durante dois anos à parte prática — que vai muito além do uso de espadas.

Durante o curso, o estudante cultivava vegetais e treinava técnicas de artes marciais, sem deixar de frequentar aulas teóricas e finalizar leitura de livros.

"Eu lia que ninjas trabalhavam como fazendeiros pela manhã e treinam artes marciais à tarde", conta Mitsuhachi.

O agora mestre afirma que um ninja faz muito mais do que lutar discretamente a mando de chefes. Mitsuhachi diz que o mestrado lhe ensinou a ter "grandes habilidades de sobrevivência". Agora, ele mantém em uma pousada e dá aulas de artes ninjas em um dojo.

treinamento ninja

Três alunos por ano
Segundo o professor de história do Japão responsável pelo centro de estudos ninjas da universidade, Yuji Yamada, três estudantes se matriculam a cada ano no curso. O docente elogia o novo mestre: "Não esperava que ele fosse se dedicar a esse ponto, em viver como um ninja de verdade", disse.

Porém, o professor adverte a quem quer entrar na universidade apenas para aprender técnicas de luta ninja.

"Recebemos muitos pedidos de outros países, mas eu preciso dizer uma coisa: é um curso para aprender sobre ninjas, não para se tornar um."
Fonte: G1

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Melancias quadradas estão prontas para serem enviadas pelo Japão

Sete produtores de Kagawa planejam enviar cerca de 400 melancias quadradas aos compradores de todo país
melancias quadradas

Os envios das melancias ornamentais quadradas deste ano começaram a ser feitos na cidade de Zentsuji (Kagawa), ao valor de aproximadamente 10 mil ienes pela fruta para os compradores de todo o país.

Segundo a agência Kyodo, até meados de julho, sete produtores da província de Kagawa planejam enviar cerca de 400 melancias quadradas, de aproximadamente 18 centímetros, para atacadistas, principalmente na região metropolitana de Tóquio, Osaka e cidades vizinhas.

“Devido aos efeitos do coronavírus este ano, acho que há pessoas que estão deprimidas porque tiveram que ficar em casa com o calor”, disse Toshiyuki Yamashita, 72, um dos produtores. “Espero que eles tenham o seu espírito animado quando verem as melancias quadradas.”

Essas melancias, que não são comestíveis, foram colocadas em recipientes de plástico em forma de cubo por cerca de 10 dias, quando ainda não estavam maduras. Os produtores disseram que cerca de 80% do total cultivado estão em ideal para venda.

Um grupo de agricultores da cidade iniciou a produção das melancias há cerca de 50 anos, na tentativa de elevar o perfil da comunidade.
Fonte: Alternativa

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Entidades japonesas comemoram 112 anos de imigração ao Brasil

Data será comemorada nesta quinta-feira com programação especial
Imigração Japonesa no Brasil

Entidades ligadas à cultura japonesa no Brasil terão uma programação especial para o aniversário da imigração, comemorado amanhã (18), e também para o Dia Internacional do Nikkei, celebrado no dia 20.

No aniversário  dos 112 anos da Imigração Japonesa no Brasil, nesta quinta-feira às 19h, a Japan House São Paulo e a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo) vão promover uma conversa online sobre o tema, com a participação do presidente honorário da Japan House São Paulo, Rubens Ricupero, e do membro do conselho consultivo da Bunkyo, o jurista e Doutor Honoris Causa pela Universidade Keio, de Tóquio, Kazuo Watanabe.

A atração, que será transmitida no canal da Japan House SP , discutirá a imigração japonesa no Brasil, suas influências, legados e a construção do elo entre ambas as nações e culturas.

Em 18 de junho de 1908, o Kasato Maru, o primeiro navio a trazer imigrantes do Japão, chegou em Santos transportando 781 japoneses depois de uma viagem de 52 dias em alto-mar.

Descendentes e simpatizantes
No Dia Internacional do Nikkei (20) será a vez da Monja Coen fazer uma live, às 20 horas, com a participação de cantores e personalidades nikkeis, debatendo valores nipo-brasileiros. O evento será transmitido no canal da Bunkyo .

Segundo a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, a expressão nikkei significa descendentes nascidos fora do Japão, japoneses que vivem no exterior ou ainda simpatizantes da cultura japonesa. De acordo com a entidade, estima-se que há 3,8 milhões de nikkeis no mundo - o Brasil é o país onde há maior número de representantes, com 1,9 milhão.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Empresas japonesas se apressam para desenvolver máscaras mais frescas para o verão

Uso de máscaras no verão causa preocupações, já que o número de pessoas mortas ou que são levadas aos hospitais devido ao calor aumentou nos últimos anos
máscaras para o verão

Diversas empresas de diferentes áreas se apressam para desenvolver máscaras frescas e secas para ajudar as pessoas no verão escaldante do Japão.

Segundo a agência de notícias Kyodo, a demanda por máscaras adequadas para o verão está aumentando no Japão e em outras partes do mundo, com especialistas médicos alertando para os riscos de desidratação e dificuldades respiratórias.

Empresas de diferentes setores que nunca produziram máscaras estão apresentando soluções, como o uso materiais frios de alta tecnologia e novas ideias, como colocar as embalagens de refrigerante nas máscaras.

No final de maio, a Mizuno iniciou as vendas de máscaras laváveis feitas com um material macio tricotado, usado em trajes de banho e roupas para atletismo.

Ao ser utilizada, a máscara pode ser ajustada ao rosto com menos estresse, além de ajudar a prevenir infecções por respingos, informou a fabricante de roupas esportivas.

O produto, que custa ¥ 935 (imposto incluso), ganhou forte popularidade, com 20 mil peças comercializadas no primeiro dia de vendas on-line.

A Yonex, fabricante de equipamentos para badminton, tênis e outros esportes, venderá, no início de julho, máscaras feitas com seu material “Very Cool”, contendo xilitol.

O xilitol absorve o calor e o suor. O material é usado pela empresa nas roupas da equipe nacional de badminton do Japão e de tenistas profissionais.

“À medida que as pessoas passem mais tempo usando máscaras contra o coronavírus, esperamos que nossa tecnologia permita que os usuários se mantenham frios durante o clima quente, mesmo que só um pouquinho”, afirmou um porta-voz da Yonex à Kyodo.

A empresa planeja vender a máscara a ¥ 840 ienes (sem o imposto). Fabricadas em material antimicrobiano e de secagem rápida, as alças podem ser ajustadas.

A Fast Retailing, operadora da rede Uniqlo, planeja começar a vender máscaras neste verão, apresentando um material altamente respirável e de secagem rápida usado na popular linha de roupas íntimas AIRism, que são frescos e de secagem rápida.

Uma porta-voz da empresa disse que a data de lançamento da máscara e o preço serão anunciados assim que forem determinados.

Segundo a Kyodo, após a suspensão do estado de emergência em 25 de maio, várias outras empresas estão entrando no mercado de máscaras para o verão.

Enquanto as atividades econômicas e sociais são gradualmente retomadas, o governo pede à população que continue usando máscaras para proteção contra uma possível segunda onda de surto do vírus.

O pedido tem causado preocupações, já que o número de pessoas que morrem ou são levadas aos hospitais devido ao calor aumentou nos últimos anos.

A Associação Japonesa de Medicina pediu às pessoas que bebam água em intervalos regulares e removam as máscaras, conforme apropriado, pois usá-las pode aumentar os batimentos cardíacos e respiratórios.

A Knit Waizu, fabricante de malhas, colocou à venda máscaras de tecido com dois bolsos para acomodar até quatro embalagens de refrigerante que podem esfriar o rosto do usuário entre uma e duas horas.

No início deste ano, a empresa vendeu máscaras de tecido resfriadas em máquinas de venda automática. No entanto, o resfriamento não durava muito e foi lançada uma versão reformulada do produto.

A nova máscara é vendida por ¥ 1.300 (imposto incluso), em máquinas de venda automática e pela internet. A máscara pode ser usada várias vezes se for resfriada no freezer.
Fonte: Alternativa